O Itaoquense


O Itaoquense retorna e já é o maior diário semanal do país

O periódico O Itaoquense começa hoje uma nova fase, depois de mais de um ano sem ser publicado, devido a inúmeros problemas que iremos relatar num flash back que faremos a partir de hoje.

Essa nova fase será em homenagem a meu finado pai, que faleceu logo após os eventos que “tiraram do ar” nosso periódico mais famoso, de Itaoca e das redondezas.

Depois da descoberta da cova do seu Nicolau, a cidade inteira entrou em depressão profunda, pois os conselhos de nosso maior mártir eram de “severas importâncias”, como diria o vigário.

Até mesmo o Universo sentiu o passamento de nosso maior herói, tanto que choveu durante sete dias e sete noites, chuva que trouxe a maior enchente de todos os tempos no rio Pichorra, fazendo com que ele transbordasse e inundasse toda a cidade.

A água invadiu casas, a prefeitura (mas o prefeito escapou pois estava com a família e algumas centenas de amigos comemorando a vitória nas urnas em uma viagem à Europa, paga com o remanejamento de verbas da saúde e da educação, que segundo o prefeito acabaram sobrando e não teria como gastar o montante), o bar do seu Benê (dava dó ver todo o estoque de mocotó boiando nas águas do Pichorra), e o Buraco Quente que mais parecia uma raia olímpica.

Infelizmente nosso prédio também foi invadido, e todo nosso acervo foi perdido, sem falar do estrago sem precedentes causado em nosso único computador, tornando impossível relatar os fatos seguintes com a imparcialidade que nos é peculiar.

As águas baixaram apenas 6 dias depois e causou grande furor na cidade, pois segundo a Dona Maria Cartomante, 7 dias de chuva mais 6 dias para baixar as águas dá 13, o que traria para a cidade uma maré de azar, a começar do 13º minuto do 14º dia desde o começo das chuvas.

E não deu outra, logo após o início do 14º dia, as coisas pioraram bastante em nossa já não mais gloriosa urbe.

As finanças abaladas com os inúmeros remanejamentos de verbas do Dr. Arlindo Orlando; o principal distribuidor da riqueza itaoquense, o bar do seu Benê, totalmente destruído pelas águas barrentas do Pichorra, o Buraco Quente agora era retiro para rãs e sapos pois transformou-se em um enorme brejo. É importante lembrar que desde que o campo foi totalmente escavado para que se encontrasse a caveira de burro que atrasava a vida de nossa gloriosa seleção, ele nunca mais foi reformado, devido a falta de dinheiro para a secretaria de esporte, lazer, cultura e entretenimento de nosso município.

Mas a grande perda ocasionada com a chuva foi o silêncio, a censura imposta ao nosso periódico, pois além da perda de nosso supercomputador 486, perdemos também o maior jornalista do Vale do Pichorra e adjacências. O passamento de meu finado pai consumiu todas as economias da família e do periódico, pois um jornalista de renome não poderia ser enterrado senão com honras de chefe de estado.

Sem dinheiro para fazer um up-grade em nosso computador, fomos todos, praticamente toda a cidade, trabalhar na roça afim de levantarmos fundos para edificar uma nova urbe, tão ou mais gloriosa do que já havia sido nossa Itaoca, dos bons e saudosos tempos do Império, quando nossa cidade ditava os rumos da economia nacional, quiçá do resto do mundo.

E conhecendo o povo de Itaoca como conhecemos, bastaram pouco mais de um ano, e estamos de volta a ativa, e a cidade aos poucos vai sendo reformada.

Do alto, a cidade parece um grande canteiro de obras: os bancos da praça totalmente reformados e modernizados, as ruas capinadas e cada paralelepípedo foi cuidadosamente lustrado com óleo queimado, sem falar na construção da pinguela que dá acesso ao bairro que hoje chama-se arrozal, isolado desde que a enchente derrubou a ponte. O novo bairro, de longe, mais parece uma imensa plantação de arroz.

Para evitar futuras enchentes, os funcionários da prefeitura estão cavando uma enorme valeta às margens do Pichorra, uma grandiosa obra de deverá ser entregue dentro de 4 ou 5 anos, segundo estimativas do Secretário de Obras da cidade.

Itaoca renasce para mais uma vez figurar no cenário internacional e ser, a nível de Brasil, a maior cidade do Vale do Pichorra e adjacências.

(Por Ramos Júnior, herdeiro d’ O Itaoquense)

Escrito por Edward às 11h14
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